percepção
a percepção do mundo
Percepção nasce do intervalo entre ver e reconhecer: o momento em que o olho percebe uma imagem que o cérebro ainda não sabe classificar. Nesse intervalo, a fotografia deixa de documentar e passa a sugerir. Uma cena que deveria ser clara é deslocada para um território onde mais de uma leitura permanece possível.
Cada série neste eixo parte de um recorte diferente dessa mesma instabilidade: Miragem, Correnteza e Fade.
Miragem foi fotografada a trezentos metros do chão, sobre os Lençóis Maranhenses. À altura de voo, a paisagem perde a escala que a define como lugar e passa a operar como composição: padrão, geometria e cor. As dunas e os lençóis de água formam abstrações que existem apenas nessa perspectiva.
Em Correnteza, a câmera acompanha o movimento da água registrando-a durante segundos, às vezes minutos. O tempo que passa por ela se torna parte visível da própria imagem. Cada fotografia registra um momento diferente da mesma matéria.
Fade investiga o momento em que a estrutura já cedeu. O assunto ainda existe, mas a luz e o desfoque já o alteram o suficiente para transformar como a forma aparece. Nesse ponto, a fotografia para de descrever um objeto e começa a construir uma imagem dissolvida e inédita.




















































































